Descartes, o escritor

Por João Bandeira e Lu Benício

Das diversas formas de arte pelas quais Descartes Gadelha ficou famoso pelo status de multiartista, multitalentoso, multigênio, etc… A da escrita é provavelmente a menos gloriosa, haja visto que, em muitas descrições que se encontram dele por aí, algumas esquecem desse seu ofício. Não é à toa. Após décadas dedicadas ao Maracatu e às artes plásticos, Descartes começou tarde a escrever (quando?). Seu mais recente livro é a obra de caráter infantil “Lenda Estrela Brilhante”, lançado em março do ano passado pela Associação Cultural Solidariedade e Arte (Solar) e fruto do Edital Pontinhos da Cultura (SecultFor). Parte da tiragem do livro foi distribuída a alunos da rede pública municipal de ensino.

 A história é praticamente uma autobiografia da infância do autor, momento em que ele começa a se envolver com o maracatu, uma de suas maiores paixões até hoje. “Tínhamos São João da melhor qualidade. Lembro dos chamados ‘Caboclos da Parangaba’ que, em novembro, saíam pelas ruas e distritos tocando e cantando para angariar fundos para a igreja, e muitos outros. Tínhamos os Pastoris que eram transmitidos ao vivo pela Ceará Rádio Clube e pela concorrente, Rádio Iracema de Fortaleza, os verdadeiros reisados, os autos de Natal e, dessa forma, eram os Maracatus”, contou Descartes, em entrevista ao Diário do Nordeste, explicando como foi inevitável apaixonar-se pelo carnaval.

descartes

 O protagonista do livro é o garoto Oiti (apelido de Descartes quando criança, pois, na época, comia muito oiti), que, graças ao encanto de uma amizade imaginária, cria um bloco de carnaval. “Ô tia, eu estava sonhando com uma estrelinha. E em homenagem a ela eu vou criar o Maracatu Estrela Brilhante”, diz o menino em uma das páginas da publicação. 

 A ideia de escrever o livro, revelou Descartes, surgiu com a vontade de homenagear o bloco, que de fato existiu e fez parte da sua infância. “Pensei em fazer algo atual, trazer a literatura infantil para temas do nosso cotidiano, tanto que aparece até o Ronda do Quarteirão. Mas, quando eu era criança, que morava na avenida Tristão Gonçalves, Fortaleza se dava ao luxo de ter ruas largas, com árvores plantadas ao longo delas, principalmente, oitizeiros, que é uma árvore bonita, frondosa, que dá frutos”, contou.

Outro livro de Descartes é “Cicatrizes Submersas dos Sertões”, do qual no decorrer da história o autor troca correspondências com o mestre da literatura Euclides da Cunha. Esta obra foi produzida ao longo de décadas e tem em sua raiz a influencia da leitura de “Os Sertoes”, ainda na infância de Descartes e na sua estadia no sertão nordestino. Sensibilizado com as definições do escritor baiano sobre a vida e a cenografia do sertão, produziu não só a obra literária como desenhos, pinturas, xilogravuras e esculturas a respeito do tema.

Mas pouco se sabe além disso sobre a carreira de escritor desse gênio da arte cearense. Estima-se, também, que Descartes tenha escrito outras obras literárias, mas nada de grande alcance como sua primeira realização no universo da escrita, a “Lenda da Estrela Brilhante”. 

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